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Bateria Seca para Cadeira de Rodas

Vivendo, tropeçando e aprendendo. Mas como é que se tropeça em quatro rodas? Eu te respondo, meu caro amigo.

Uma das coisas que eu não fazia a menor ideia até antes de ir para a Irlanda em junho desse ano é que, se você é cadeirante como eu e pretende viajar de avião com uma cadeira motorizada, alguns cuidados quanto a companhia aérea e as suas baterias são essenciais, principalmente se você não quer ser impedido de viajar.

Do começo. Em dezembro de 2010 eu comprei (leia-se meus pais compraram) uma cadeira de rodas motorizada no modelo Freedom S da Freedom. Cadeiras desse fabricante, e imagino que as demais também, vêm com as chamadas wet batteries ou baterias líquidas. O caso é que a maioria das companhias aéreas não transporta esse tipo de bateria. Aqui no Brasil, a única que faz esse transporte é a TAM e, ainda assim, somente em voos nacionais e é de responsabilidade sua ou da agência que está te auxiliando avisar a companhia com antecedência sobre os detalhes da bateria, para que eles possam preparar as caixas "especiais" (de papelão) onde elas deverão ser armazenadas.

O detalhe é que eu não sabia disso. Perdi dois voos e passei duas noites em hotéis. Atrasei minha viagem em três dias sendo que eu havia preparado tudo pra chegar lá com antecedência e conseguir ter tempo de me adaptar antes que as aulas começassem. Resultado: cheguei a Limerick num domingo a noite, morta de cansada para acordar na segunda-feira de manhã cedinho e ir pra universidade que, por sinal, eu não tinha ideia de onde ficava. Jet lag? Nem tive tempo de me dar ao luxo.

Meu maior problema foi com a TAM. Creia. Por não terem sido avisados pela agência que fez a compra da minha passagem (porque nem eles sabiam disso, apesar de terem sido avisados sobre a minha condição de cadeirante e terem me visto pessoalmente com a bendita cadeira), eles não tinham a tal da caixa especial (repito: de papelão) no aeroporto de Salvador. Perdi o voo para São Paulo e o auê começou. Como a KLM, que faria o voo de São Paulo a Amsterdã, também não tinha sido avisada, a TAM achou melhor trocar as minhas passagens da KLM por outras da própria TAM que faria o voo de São Paulo a Frankfurt. De lá eu pegaria um outro avião para Dublin. Dormi no hotel e voei para São Paulo no outro dia. Cheguei lá para descobrir, juntamente com os funcionários da TAM, que eles não fazem o transporte dessa bateria em voos internacionais. Mais uma noite no hotel e passagens trocadas por outras da Lufthansa. Sabe o que aconteceu no outro dia? Nada. O pessoal da Lufthansa pegou minha cadeira, desconectou os cabos e colocou no avião. Sem caixa e sem enxame. Fui para Frankfurt e, finalmente, Dublin, ainda com a Lufthansa. Não preciso dizer que adoro os alemães desde então.

Na volta com a KLM tudo fluiu perfeitamente bem. O único problema foi com a Aer Lingus que faria o trecho Dublin-Amsterdã. Eles também não fazem o transporte de baterias líquidas. Mas o meu landlord, fofo que só ele, me levou até o balcão da Aer Lingus no aeroporto de Shannon há 20 minutos de Limerick, onde expliquei a situação e, alguns dias depois, antes da viagem, tudo foi resolvido.

Como dessa vez eu já tô esperta, comprei (leia-se, novamente, meus pais compraram) baterias a gel. Consegui, depois de muita procura, encontra-las aqui em Salvador e paguei R$ 370,00 cada (são duas). Mas se você mora em São Paulo, pode conseguir bem mais barato (R$ 280,00 cada). Se tiver interesse, fala comigo por e-mail ou aqui mesmo nos comentários que eu passo os contatos, porque, né? Muito merchandising para um post só e eu não tô recebendo nada.

Comentários

  1. boa tarde estou com esse problema com as baterias da minha cadeira de rodas... onde posso compra?

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    Respostas
    1. Oii Fábio, onde vc mora? Eu comprei aqui em Salvador mesmo, numa loja chamada Fábrica de Baterias, mas em São Paulo tem uma loja chamada Baterias Garcia. Espero ter ajudado.
      Baterias a gel são mais complicadas de se achar, mas procurando bem no google vc encontra.

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  2. Paula, interessante. Eu não havia pensado nisso.
    Que situação desagradável por parte das companhias aéreas. Se elas tem suas razões para tal deveriam ter um pessoal especializado para resolver esse problema. Acho que o usuário ou consumidor do voo (porque é pago) tem que ser atendido sem ter que ficar na expectativa se vai viajar ou não.
    Se venderem a passagem tem que viajar. Eles tem que se virar para arrumar a caixa. Por isso é que é interessante a concorrência entre as companhias e você ficou fã dos alemães.
    Está certa você. Desconectaram os cabos, você voou ( o avião não caiu, rs...rs), chegou bem no seu destino e ficou satisfeita com o serviço. Agora é voar sempre com eles (independente da bateria) e fazer propaganda de quem atende bem.
    Nossa, escrevi uma carta aqui, mas achei muito interessante esse seu post.
    Valeu, Paula.
    Manoel

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    1. Pois é, Manoel. Foi uma das situações mais desagradáveis que tive que passar. Pelo desrespeito deles, por toda a expectativa que eu havia nutrido com a viagem, minha primeira vez fora do Brasil.
      Virei fã dos alemães e dos holandeses também rs. Profissionais ao extremo.
      Mas agora já estou esperta, não deixo mais essas coisas acontecerem.

      Beijo

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