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Os homens que tinham medo das mulheres (cadeirantes)

Já contei aqui que desde quando comecei a usar cadeira de rodas, aos onze anos de idade, levei algum tempo até aprender a me reconhecer como cadeirante. No entanto quando essa consciência de ser deficiente física caiu sobre mim foi que pude perceber melhor o mundo a minha volta e, principalmente, observar a forma como sou percebida pela sociedade.

Treze anos vivendo como cadeirante e ainda convivendo com outras pessoas com deficiência me proporcionaram uma visão mais clara da realidade e me deram base para uma constatação: os homens, mais especificamente os brasileiros, parecem ser repelidos por um simples gadget que nos auxilia na mobilidade – uma cadeira de rodas. Muita informação, né? Vamos processar isso?

Sabe aqueles seres altamente racionais de pensamento lógico e analítico que se autodenominam o sexo forte, únicos detentores do cromossomo Y? Apois. São estes mesmos os que se amedrontam diante de uma linda moçoila numa cadeira de rodas. Sim porque, para as mulheres, um carinha numa cadeira de rodas exerce o efeito inversamente proporcional. Ele, por mais forte e independente que seja, passa uma imagem de fragilidade que faz aflorar o lado materno existente em (quase) todas as mulheres. Isso por si só já é motivo para que elas olhem para o rapaz com carinha de “own” e tenham vontade de confortá-los. Depois disso, babau. Se o pobre já não for comprometido, porque esses não ficam dando sopa por muito tempo – e ingenuamente considerando aqui, para fins unicamente didáticos, que compromisso seja sinônimo de fidelidade – o rapaz já terá garantida, no mínimo, uma noitada.

No caso de uma mulher cadeirante o mesmo não se aplica.

Porque nós também temos coração

Lembro-me de ter uns 17 anos quando fui passar as festas juninas no interior da Bahia. Banda de forró ao vivo, milho assado na fogueira e aquele friozinho típico de junho pedindo um moço simpático para lhe cheirar o cangote e oferecer o casaco. Todas as minhas amigas já bem arranjadas, eis que surge um primo meu contando que o seu amigo fulaninho-da-rua-da-igreja-sobrinho-de-zé-numseiquemzinho-e-neto-do-véi-sicrano estaria interessado em mim. Àquela altura da minha vida eu já havia tomado consciência do estranhamento que causava aos homens, então imagine você as milhares de borboletas que estariam se estapeando no meu estomago naquele momento, não fosse pela infâmia que viria a seguir: o fulaninho, apesar de me ver toda faceira em ritmo de São João, ficou na dúvida quanto a possibilidade (ou capacidade?) de uma menina cadeirante namorar.

Que burro! Dá zero pra ele.
Mas se fosse só ele...

Sei que devo estar sendo um tanto generalista, mas depois de ter passado por situações similares várias vezes ao decorrer da minha adolescência e ainda de trocar experiências do mesmo tipo com amigas cadeirantes, fica clara essa imagem frígida e frágil que boa parte dos homens parece ter a nosso respeito. Coisa que jamais consegui compreender...

Ou você não pegaria a Lady Gaga em sua linda cadeira de ouro?

De onde vem a ideia de que a deficiência impede alguém de sentir atração por outros seres? Que ela nos impede também de abraçar e beijar alguém e, pior ainda, de ter uma vida sexual satisfatória (ou de ter vida sexual at all)? Será que a capacidade de andar, ver, ouvir e falar, está atrelada ao desejo sexual ou, nesse caso, à falta dele? Porque já não basta todo o fardo de ser deficiente num país onde o respeito às diferenças é quase nulo, nós cadeirantes ainda somos assexuados.

Mas é fato que essa imagem que a sociedade tem de nós é apenas uma das razões pelas quais o deficiente causa tanto estranhamento nas pessoas no momento inicial da paquera. A questão estética é, a meu ver, um dos principais motivos para isso, mas não pretendo entrar nesse mérito já que considero o tema óbvio para todos, deficientes ou não, que fazem parte de uma sociedade onde a ditadura da beleza e o culto ao perfeccionismo predominam. Apenas torço pelo dia em que toda diferença seja vista como um incremento à beleza da diversidade humana e não o contrário.

Comentários

  1. Paula como te disse teu modo de escrever é incrível, gostei muito deste texto, retrata muito bem o que nos cadeirantes passamos nesta parte, é complicado, mas o mundo sempre teve este pensamento que a beleza conta mais que o que a pessoa é.

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    1. Arthur, obrigada pelo elogio e gostei de ter aqui uma visão masculina sobre o tema.
      Beijos

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  2. Paula, é uma pena que as pessoas não sejam mais esclarecidas. Mas acho que pessoas assim, que não se dão ao trabalho de ter empatia, de conhecer e ver o outro como apenas um ser humano, é que estão perdendo, pois estão criando limites para si mesmas.

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    1. Vanessa, infelizmente essa é a verdade: falta de esclarecimento. Falta ir além das aparências, das primeiras impressões e, como vc disse, de se dar a oportunidade de se surpreender, de conhecer algo novo ao mundo em que vivemos.
      Beijo

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  3. Amei seu texto, eu nao sou cadeirante e nunca tinha parado pra pensar nesse tipo de coisa, mas agora seu texto me fez refletir que como nos seres humanos ainda temos muito que avancar e derrubar pre-conceitos pre-concebidos a respeito das pessoas que tem alguma necessidade especial. Talvez (e so um pitaco) nesse mundo onde todo mundo quer tudo rapido, facil e sem esforco os relacionamentos de uma forma geral estao ficando complicados, e um cadeirante por exemplo e algo que foge do "padrao" estipulado para muitos homens, ou seja, requer empatia e requer derrubar suas proprias barreiras e isso da trabalho e infelizmente os homens (nao sei se so brasileiros) sao criaturas muito egocentricas e naoa querem ter um minimo de esforco pra fazer algo acontecer ou apenas mudar.
    Beijinhos

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    1. Moni, acho que o que vc disse faz todo sentido. As relações hoje em dias se tornaram tão plásticas que as pessoas já não se dão mais o trabalho de se engajar em algo que foge completamente os padrões do que consideram normal.
      Eu falei dos brasileiros pq foi algo que pude perceber nas minhas viagens. Que lá fora eu era vista mais como mulher do que como a menina da cadeira de rodas, sabe? Mas, claro, sempre há exceções e já recebi olhares rotuladores mesmo fora.

      Beijos

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  4. Paulinha, amei seu texto, e no meio da minha leitura me deparei com uma teoria do porquê as mulheres vêem um cadeirante e ficam "own" e parece que o contrário não acontece. No geral (claro que há exceções, para o bem de todas nós!), ainda mais aqui no Brasil, os homens são acostumados a serem servidos. As mães (ou A ajudante da casa, nunca UM ajudante) lavam e passam a roupa deles, deixam tudo dobradinho em cima da cama, etc. Eles não têm que cozinhar, eles são servidos durante toda a vida e acho que isso fica na cabeça deles que eles têm que achar uma mulher para continuar "o serviço". No caso de uma cadeirante, por plena ignorância, eles acham que vão ter que servir em vez de serem servidos, em vez de pensar que há uma troca (os dois se ajudam, ninguém é serviçal de ninguém, afinal). Eu sei que isso não é verdade, sei que um cadeirante é capaz de fazer muitas coisas, mas acho que eles têm medo por causa disso. Resumindo: falta de conhecimento.

    Ainda há muitas barreiras para serem quebradas, né?

    beijos

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    1. Marcela, sabe que faz todo o sentido essa sua teoria. Numa sociedade onde os homens mais parecem procurar uma empregada para chamar de mulher, claro que pessoas com deficiência ficam em desvantagem, né? Mas olha, há males que vem para o bem. Eu sempre me confortava no fato de que os homens que de alguma forma me tratavam com desprezo realmente não me mereciam e que no dia que eu encontrasse um diferente, saberia que era verdadeiro e que valeria a pena. Não deu outra, né?

      Mas realmente, ainda há muito por fazer.
      Beijoooo

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    2. Concordo com Marcela, também tenho essa percepção. Isso costuma me incomodar bastante. É bem mais difícil encontrar um homem disposto a viver uma relação de igual para igual com uma mulher.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Nossa, que texto. Quando chegou ao final pensei "tem que ter continuação". Muito bem construido.

    Quanto ao assunto, é mais do que lamentável que a sociedade ainda aja assim.

    Os homens foram os primeiros a frequentarem a escola, a votar, a poder trabalhar, etc... e ai me pergunto, baseado em que assim foi deliberado? Pois mesmo assim, não só na questão da cadeira deixam seu intelecto a desejar!

    Não quero entrar nessa questão feminista, mas me pergunto se esses paradigmas (de merda) da sociedade do século 21 existiriam, se fossemos nós governando desde o começo?!

    Acredito que até na Suécia existam carinhas que agem dessa forma.
    Pode ser simplesmente ignorancia ou medo de não saber como lidar com a cadeira, o que também não deixa de ser ignorancia.

    Sinceramente, estou de saco cheio desses padrões e delimitações impostos e com o fato de muitos ainda engolirem.

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    1. Ray, hehe muito obrigada e fico feliz que vc tenha gostado.

      Interessante esse seu ponto e lamentável mesmo é ver que (sem generalização) os homens sempre foram privilegiados em tantos aspectos, mas ainda demonstram comportamentos completamente inadequados.
      Como falei com a Monique, falei dos brasileiros em especial porque notei que fora do país, apesar de esse tipo de preconceito também existir, não senti ele de forma tão intensa quanto aqui.

      Beijos e obrigada :)

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  7. Paulinha, excelente texto! amei!
    me fez refletir sobre coisas que eu não tinha parado pra pensar, até então!
    acho que grande parte do problema é que aqui no Brasil, mesmo dizendo que não, é uma sociedade machista, e isso vem da falta de conhecimento criando assim pré-julgamentos totalmente infundados!

    beijos linda!

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    1. Com certeza, Pri. É um estranhamento que até considero normal num primeiro momento, mas acho que já passou da hora de encarar o assunto com mais maturidade, né?
      Obrigada, querida. Beijos

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  8. Paulinha, minha querida. Do modo como você escreveu tudo isso a gente fica conhecendo a sua maturidade em relação a esse tipo de coisa. É muito difícil racionalizar essa situação. Na minha opinião o problema não é de culturas ou de países mais ou menos desenvolvidos. Acho que o problema é de educação, mas educação em casa mesmo. O pai e a mãe da gente mostrarem que é normal que alguém tenha uma deficiência qualquer. Eu para ser bem sincero nunca tive esse problema. Até me preocupo de me aproximar dessas pessoas e conversar normalmente e quando precisam de ajuda, ajudá-las com normalidade. Nada de exageros senão acabamos por machucá-las. Infelizmente muita gente age como se ela estivesse na situação do deficiente e por querer dar muita atenção acaba por não dar nenhuma e evitar o contato tanto físico como o bate papo. Não sei se me fiz entender, mas eu acho que se colocarmos placas nas ruas dizendo que precisamos dar atenção aos deficientes não surtirá o efeito que se espera quando a gente recebe a educação com o carinho de pai e mãe. Alguns anos atrás eu joguei voleibol e o massagista de nosso time era cego. Convivíamos com ele numa boa a ponto de nem nos preocuparmos com sua deficiência. Pelo contrário. Muitas vezes fazíamos brincadeiras com ele colocando latões de lixo no seu caminho e outros obstáculos. Muitas vezes ele até percebia e quase sempre nós todos (ele também) dávamos boas risadas na rua. Por que isso? Porque não o víamos como um diferente e sim um deficiente que era gente igual a gente.
    Paulinha, um beijo no seu coração,
    Manô

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    1. Manô querido, vc tem toda razão. A questão não é o país e sim uma questão de familiaridade. Como vc disse, quando somos educados nesse assunto e, melhor ainda, temos contato direto com alguém que possua algum tipo de deficiência, vemos que são pessoas como qualquer outra. Não é preciso trato especial, mas trato natural.
      Enfim, gostei do seu exemplo e do seu ponto de vista.
      Beeeijos

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  9. Ótimo esse seu texto Paula, parabéns! Você disse muito do que eu tbm vejo e penso. Eu vejo exatamente que é essa a imagem/pensamento que a maioria das pessoas - sim, não só os homens, mas as pessoas em geral - tem das mulheres cadeirantes, que elas são frágeis, frigidas e assexuadas.
    E digo mais, na minha opinião, pior ainda é ver esse tipo de pensamento de pessoas que são instruídas, modernas, cultas, intelectualizadas... Me provoca uma mistura de decepção com vergonha alheia! Sinto muita vergonha alheia me deparar com uma pessoa nesses perfis tendo esse tipo de pensamento das mulheres cadeirante, lamentável.

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    1. Fran, vc conhece na pele tudo isso que falei. Fiquei feliz com seu comentário pq prova que não viajei na maionese ao escrever esse texto rs.
      Beijo

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  10. Pulinha minha amiga mais que querida, agora me senti um ser assexuado também.
    O texto é perfeito como tudo que escreves. E a realidade é muito triste mesmo, porque todas as pessoas tem o direito de amar e serem amadas. Ridículo este pensamento tão pequeno e mesquinho de uma sociedade hipócrita. Lamentavelmente, as pessoas perdem seu tempo preocupados e procurando a beleza externa e não mais a verdadeira pessoa em si.
    Nestes meus meses que estou cadeirante de diferente só mesmo a hora do banheiro, seja para tomar banho ou para "aliviar o corpo" risos. De resto, sou a mesma pessoa. Com todos os meus anseios, desejos e vontades.
    E verdade seja dita, ninguém está livre de virar um cadeirante não é mesmo? Olha eu aqui, sentada em uma enquanto escrevo este comentário para você.
    Mais infelizmente muitas pessoas só aprendem vivendo na pele tudo aquilo que tanto discriminam. Uma vergonha.
    Você já tinha ganhado residencia em meu coração, agora então já nem precisa mais pagar IPTU, risos. Torço muito pela tua felicidade. Porque para mim, a tua cadeira é algo que só lembro quando você fala. A Tua beleza é externa e interna, e um homem não se apaixonar por você, é porque ele é um tolo.
    E aqui entre nós falei para a Gaga não pegar minha cadeira emprestada, "ô pessoa dificil".
    Beijos
    Lola

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    1. HAHAAHAHHA Lola, seus comentários são os melhores.
      E é verdade, vc tem sentido na pele o que é ser vista como cadeirante e ter esses olhares de estranhamento sob vc. Acho que se as pessoas soubessem disso que vc falou, que ninguém está livre de uma fatalidade, veriam essa situação com outros olhos.

      Repito: vc é uma fofa.
      Beeeijo

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  11. Nossa, Paula, que post.

    Fiquei pensando em várias coisas enquanto lia o seu texto (pq os homens não se aproximam de cadeirantes? será que isso é coisa de brasileiro?), mas concordo com vários comentários que deixaram aqui... e o preconceito se estende em vários setores da nossa vida, né? É lamentável e muito triste - assim como a Lola disse aqui em cima, ninguém tá livre de virar um cadeirante - e aí, será que assim as pessoas aprenderiam a respeitar o outro?

    Uma pergunta: você sentiu diferença em relação à isso no Canadá e na Irlanda? Digo, em relação à paqueras mesmo.

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    1. Bárbara, eu senti sim essa diferença tanto no Canadá quanto na Irlanda. Me sentia vista de outra forma, não sei bem explicar isso. Mas depende também da pessoa, então vi das duas coisas lá, mas senti que as pessoas tendem a ser mais abertas fora.
      Mas enfim, concordo com vc que esse tipo de preconceito tem diversas proporções.
      Beijos

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  12. Com a enteada, de 19 anos, entendo perfeitamente o que vc sente e escreve. é complexo viver num mundo onde somos protocolados, rotulados e encaixados em gavetas.
    Mesmo na Alemanha, vejo a mesma coisa. Apesar de ver muito mais casais em que o cadeirante é a mulher.
    Mas, eu acho que, no caso dos homens, é que eles não conseguem imaginar o quanto a sua deficiência, a da minha enteada e a de qualquer outra pessoa, a atinge ou restringe. Eles não são bons observadores Nao têm a sensibilidade e instinto que as mulheres tem(Generalizei, obviamente).
    Agora imagine vc, que precisou sair do país para encontrar o amor? hihihi

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    1. Eve, eu sempre soube que casaria com um gringo heehhe.
      Mas sobre sua enteada, essa fase da adolescência é ainda mais complicada. E realmente o que vc disse faz todo sentido. Mulheres são mais observadores e sensíveis, homens vão sendo guiados por outros instintos. A maioria.

      Beijo

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  13. Bom, usar óculos não é assim tão diferente (mas também não é igual). Uso óculos desde os 11 anos e bem sei que já fui deixada de lado por conta disso. E quantas e quantas vezes as pessoas não perguntam porque eu não uso lente ou faço uma cirurgia. Ou mesmo porque eu não saio sem óculos (Hello?! quase 9 graus...sem óculos eu basicamente só enxergo cores). óculos sai do padrão (hoje em dia já é "moda").

    De qualquer forma, essa parte de cadeirante ser visto como assexuado é verdade. Já te falei que ouvi perguntas e até mesmo carinha de dó quando as pessoas descobriam que meu namorado era cadeirante (eu nunca lembrava de mencionar esse fato porque nunca me pareceu significante) porque elas achavam que ele não fazia sexo (não podia fazer), consequentemente eu sobrava nessa matemática. e eu sou super recatada e morria de vergonha dessas conversas.

    Mas eu te digo que qualquer diferença é impactante, claro que as diferenças físicas estão mais "na cara", mas, por exemplo, eu tenho dislexia, tentar explicar pra alguém que pra mim o som de "p" e "b" ou o som de "t" e "d" são iguais é complicado, querer falar dirigir e só falar digerir ou bochechar no lugar de bocejar, também não é fácil (falar algumas palavras corretamente requer um nível de atenção altíssimo da minha pessoa). O pior mesmo é a disnomia (quando a palavra está na ponta da língua e não sai por nada...isso acontece com uma constância enorme, uma amiga disse que conversar comigo é montar um puzzle). Mas né, a gente vai levando com bom humor, que é o que nos resta :)

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    1. Não sei porque, mas nunca imaginei que a dislexia impactasse a fala e os sons. Nem nunca imaginei que vc tinha esse problema. Mas de fato toda diferença, seja ela qual for, causa um certo desconforto nas pessoas e é nesse processo de aceitação que ainda temos muito o que fazer.
      Eu não tinha pensado nisso antes, mas esse tabu sobre o homem cadeirante não ser viril deve ser ainda mais forte. A mulher às vezes é questionada sobre a capacidade de sentir prazer e o homem então na capacidade de dar. Que loucura que as pessoas pensem assim... só me faz pensar no quão longo é o caminho rs...

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  14. Você escreve de uma maneira fantástica, moça!
    Mais pessoas deveriam ler isto, com certeza.

    Por mais cadeiras de roda vistas como óculos!

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  15. Paula,
    Vivemos de acordo com nossos códigos pessoais, conceitos e padrões. Acho que a grande carência humana é a empatia (minha esposa diz que é a minha melhor qualidade - a empatia, não a ausência dela), mas certas coisas só se entende na pele. Ou partilhando a experiência de alguém muito próximo.

    Tenho uma amiga cadeirante que possui carro, pulou de pára-quedas, viaja pelo mundo inteiro e não passa um único fim de semana em casa: festas, cinema, restaurantes... Ela afirma que o maior problema não é a falta de acesso em alguns lugares, mas o medo que as outras pessoas têm que ela se quebre, como se fosse de cristal fino. É uma das pessoas mais divertidas que conheço, mas tem dificuldade em arranjar namorados.

    Gostei da reflexão.

    :)

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    1. Empatia é uma qualidade que eu admiro bastante.

      Fiquei boquiaberta com sua amiga. Pular de para-quedas é uma vontade minha também. Mas não me admira que mesmo tendo um espírito tão livre e um estilo de vida tão normal ela ainda tenha dificuldade nos relacionamentos. Infelizmente.

      Obrigada, querido

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  16. Paula, parabéns por mais um excelente texto. você já sabe, adoro o jeito como escreve. é divertido, impactante sem deixar de ser natural, nos faz sentir mais humanos, e até meio poético . Parabéns querida! As pessoas, de modo geral, precisam ler os seus posts fantásticos.

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    1. Amiga linda dessa minha vida, super obrigada. Te amo demais

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  17. Ah, Paula, o ser humano e os seus (pre)conceitos, os seus medos, as suas certezas… isso tranquiliza os inseguros e permite ter a (falsa) certeza que tudo está certo no mundo que se considera "normal".
    O meu filho, por ser "diferente", sofre ainda do olhar alheio mas, felizmente, começa a entender que, afinal, o importante não é esse olhar, mas a imagem que ele tem dele próprio perante o mundo.
    Venha o dia em que a ignorância seja vencida…
    Parabéns pelo seu blog e por esta excelente postagem.
    Abraço.
    Dulce

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    1. Dulce, eu já conhecia o seu rostinho do blog do Manô. Que prazer te ter aqui. Seja bem vinda e obrigada pelo seu comentário.
      Sobre o seu filho, acho que estamos os dois no mesmo caminho: descobrindo que o mais importante é quem somos, como nos vemos e ir aos poucos aprendendo a nos amar.
      Beijos

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  18. Antes de começar a organizar os meus pensamentos depois de ler esse texto, preciso lhe agradecer por me permitir pensar sobre o mesmo!
    Eu nunca refleti muito sobre como é a vida de um cadeirante por um motivo bem simples: não reflito sobre nada que não me espanta. Equivoco meu, talvez, mas, eu nunca (and I mean NEVER!!) na minha vida pensei que alguém pudesse ter esse tipo de pensamento...
    Eu sinto que começo a confundir minhas ideias mas, como não?! Porque alguém que porta alguma deficiência precisa ser "menosprezado" em relação aos seus sentimentos e vontades? Isso não me entra na cabeça de forma alguma!!
    Esse rotulo de coitado que a sociedade insistimos (e não me incluirei fora dessa) em colocar nos "diferentes" é inaceitável. Quem foi que disse que eles são coitados?
    Diferentes eles são, nós somos... é uma questão de quem está sendo comparado à quem.
    Não vou levantar a bandeira "tratem um cadeirante com igualdade" pois, eu não acredito nessa tão falada igualdade. Prefiro lutar por um ideal em que acredito, que tal "trate um cadeirante como um cadeirante"?. Ou melhor, um ser-humano como ser-humano!

    Muito obrigada, de coração, por me fazer enxergar o mundo através dos seu ponto de vista. Você está me ajudando muito à crescer pessoalmente!!!

    Beijo beijo.

    www.quandofizvinte.com

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    1. Aninha, que comentário mais fofo e sincero. Fico feliz que tenha gostado e que eu tenha te proporcionado essa reflexão.

      Esse é o meu desejo: que o cadeirante, assim como qualquer outro deficiente, seja visto como pessoa, como qualquer outra. Precisamos (e eu, por incrível que pareça, tbm me incluo aqui) aprender a enxergar através das limitações.

      Beeeijo, linda

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  19. Esse texto.... hum... esse texto é simplesmente FANTÁSTICO. Amei!!! É bem verdade que no geral os brasileiros têm esse pensamento pequeno e preconceituoso com relação aos cadeirantes. Trabalhei com pessoas que os via como limitados, inclusive em sua capacidade. O que a gente sabe que não é verdade.
    Presenciei cada coisa nessa viagem a São Paulo que te deixaria de cabelo em pé. Um despreparo e uma falta de respeito com os cadeirantes que me fez ficar com vergonha de ser brasileira. Na Suécia eu vejo uma super estrutura e atendimento exemplar. Aqui cadeirante tem vida uma vida normal em todos os sentidos como qualquer outro cidadão e a própria sociedade o trata assim: COMO UM SER NORMAL.
    Cada vez mais eu vejo como a questão cultural é importante na formação do indivíduo.
    Obrigada por compartilhar seus pensamentos, impressões e experiências desse mundinho que é tão novo para mim. Já falei e torno a repetir: te admiro não por você ser cadeirante, mas por você ser quem você é... linda por dentro e por fora em todos os sentidos.
    Beijo enorme.

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    1. Minha querida, absurdos por aqui é o que não falta, né? Ainda temos muito o que avançar, mas acho que já começamos. Sabe que eu descobri essa semana que a Suécia tem uma qualidade de vida maior que a do Canadá e Austrália? Fiquei na vontade rs.

      Beeeeijo e obrigada
      Corei

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  20. adorei a assertividade!!

    ps: uma agradável surpresa este teu "espaço" :)) parabéns!!

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  21. Paula, sou destas que antes de comentar tenta ler todos os post antigos rsrsrs Faz algum tempinho q frequento seu canto, mas primeiro estava aprendendo mais sobre vc :) Admiro sua força, admiro o quão aberta vc é sobre sua situação e admiro muito sua força e determinação, e admiro ainda mais o fato que vc não esconde seus temores, sua sensibilidade e sua fragilidade! Obrigada! Bjss

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    1. Aline, seu comentário me deixou super feliz. Obrigada pela visita e pelo carinho. Já, já passo no seu cantinho para dar uma lida.
      Beeeijos

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  22. Confesso que sabia muito pouco da vida de um cadeirante. Se não fosse por vc, muitas das coisas me passariam despercebidas, mas não pela falta de de interesse, mas pq realmente não conhecia nenhuma pessoa com deficiência. Acho super importante o que vc posta, tem coisas que as pessoas que não têm essa deficiência, fiquem cientes. Mas quanto a gostar, se interessar, não acredito que tem pessoas que pensam que cadeirante é um ser diferente de qualquer outra pessoa q não tem deficiência.

    Kisu!

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    1. Oi Bah, eu fico feliz de poder trazer essa realidade para mais perto das pessoas e entendo que, se vc não conhece alguém nessa situação, raramente ia se interessar pelo assunto e isso é compreensível. Mas acredite, o preconceito existe e é muito frequente, infelizmente.

      Beijo

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