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Trials and Triumphs

Puxando o gancho do último post, a defesa do mestrado correu bem. Para dizer a verdade, muito mais tranquila do que a qualificação, com direito a "pilha" de todos os professores da banca para que eu seguisse imediatamente com o doutorado. 

Não, obrigada.

Tudo lindo. Eu nas nuvens, sentindo ainda a leveza dos mil quilos tirados das minhas costas quando, no dia seguinte, caio doente. O resumo da ópera foi rotavírus que, por conta do estresse do fim do mestrado e, consequentemente, da baixa do sistema imunológico, infeccionou e me levou ao internamento - em isolamento - por cinco dias. Isso mais os dias que passei sofrendo em casa, indo e voltando da emergência.

Em minha mania de self pity, até pouco tempo eu chorava ao lembrar tudo que passei. Noites sem dormir (e sem deixar ninguém dormir), cólicas e diarreia que me faziam gemer de dor, febre, vômitos, enjoos que me impediam até de beber água e uma fraqueza que me deixava inerte, sem conseguir nem mesmo me virar de lado sozinha na cama. A cereja do bolo era uma constante dor nas costas por conta do desconforto da cama (maca) do hospital.

Picadas e pinicadas sem fim; antibióticos que me causavam um mal estar terrível; já falei das dores nas costas? Eram enfermeiros e enfermeiras entrando e saindo do quarto enquanto eu estava lá, sem defesa, já sem pudor, mais exposta do que jamais imaginei. 

Espiritualmente, era um misto de emoções. Eu sabia que havia permissão de Deus em tudo aquilo. Sabia que havia um propósito, mas, ainda assim, muitas vezes questionei o porquê de Ele não estar fazendo nada. Em outras, pedi que me levasse logo. Estava bom demais tudo que eu havia visto e vivido até ali, pensava eu. Mas também sabia dentro de mim que não era o fim. 

Quando finalmente comecei a melhorar e tive alta do hospital, o mundo me parecia ter uma cor nova, sentidos diferentes. Mas a fraqueza e o cansaço me seguiram. Voltar ao trabalho foi um martírio. Eu sentia que poderia desmaiar no ônibus se fechasse os olhos por alguns segundos. Em Salvador, o sol e o calor estavam insuportáveis, o que acrescentava mais uma camada ao meu mal estar. Ir ao banheiro, em casa ou no trabalho, requeria a ajuda de duas pessoas. Diante de tudo isso minha médica me deu mais 7 dias de atestado e assim pude descansar mais. 

Porém a mente ainda estava a mil. Eu chorava achando que não voltaria mais ao normal, pensando que teria que ser afastada do trabalho... O desânimo tomou conta de mim e eu já não conseguia nem mais orar. Uma amiga muito querida conseguiu perceber tudo aquilo que eu estava passando e me fez lembrar que nada vem de mim e que nada posso fazer por mim mesma.

Quanta coisa o Senhor já fez por mim! Quantos lugares Ele já me levou, sem que absolutamente nada me faltasse. Quanta coisa eu já fiz sabendo que sozinha eu jamais teria tido capacidade de fazer. O mestrado era uma dessas coisas. Lembrei que é Ele quem me sustenta, quem me faz prosseguir. Como eu poderia pensar o contrário? 

E então passou. As forças têm voltado aos poucos. Já estou quase 100%. As seções de fisioterapia agora são mais frequentes. Meu ânimo retornou e minhas orações agora são mais próximas, como se através de tudo isso eu tivesse subido mais um degrau de reconhecimento de quem eu verdadeiramente sou e de quem Ele verdadeiramente é. 

Aprendi que é descendo que se sobe; é diminuindo que se cresce.

O interessante de tudo isso foi que, durante minha defesa, uma das professoras pareceristas questionou "o uso da lógica dialética" nos meus agradecimentos. Lá dizia assim:

Ao Deus Altíssimo, detentor de toda ciência e de todo conhecimento, que graciosamente me guiou pelas mãos durante esse percurso de constante crescimento e diminuição. Para quem tantas vezes eu corri e quem em todas elas me acolheu com braços fortes de amor. A Ti, Senhor Jesus, a minha mais profunda gratidão, todo o meu louvor e toda minha devoção.

Comentários

  1. Impossivel passar por aqui e nao sair fortalecida, as vezes realmente passamos por algo que nao entendemos, comigo aconteceu a mesma coisa, mas no fundo eu sei que Ele tem um propósito pra tudo. Por favor nunca pare de escrever tá?
    Mudo de blog constantemente, mas sempre to aqui, porque esse espaço me ajuda e inspira tanto que voce nem imagina.
    um super beijo, tety
    simplesrotiina.blogspot.com

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  2. Paulinha, que sufoco! Graças a Deus que você melhorou e mesmo depois de tanta tribulação você consegue ver o amor e o cuidado de Deus por você e pela sua vida!
    Parabéns pela conquista do seu mestrado, parece que foi ontem que você disse que ia começar a estudar, fico muito feliz por você e alegre por você dar notícias!

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  3. Eita, Paula, mas que barra! Fico muito feliz por voce estar muito melhor. Desejo que sua saude volte 100% o mais breve possivel. E parabens por essa grande e linda conquista em teus estudos. Um abraco!

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  4. Eu lembro quando tive rotavirus e fiquei nesse estado de bagaço, entendo um pouco o que voce passou e to feliz que voce ja ta se recuperando e ta bem melhor. Voce comentou da fisioterapia, isso e por conta de alguma sequela que o rotavirus deixou ou e por voce ser cadeirante e ta sempre fazendo fisioterapia?

    Parabens pelo mestrado, nao e facil e nem pra qualquer um, foi uma conquista e tanto!

    Tudo de bom!

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    Respostas
    1. oi moni, muito obrigada pelo comentário. não sabia que vc já tinha tido essa doença. a fisio eu já fazia por conta da minha deficiência mesmo e na verdade antes de ficar doente já estava planejando aumentar as seções. a doença me deixou bem fraquinha, mas do que já estava, mas já estou bem melhor. agora é buscar me fortalecer mais em Deus e nas seções de fisio.
      xx

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  5. Parabéns por mais uma etapa finalizada. E que etapa! Fiquei feliz de ler que no seu momento de fraqueza você foi lembrada de que tudo que vc é e tem foi por causa dele. Seu agradecimento me emocionou! Muito lindo!

    Beijos!

    www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

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