Realmente, eu sou um caso à parte.
Desde o segundo semestre do ano de 2011 eu já me considerava "formanda", ou seja, em fase de conclusão de curso. Quase dois anos depois, desde abril deste ano, ainda me considero "recém-formada". Confuso, né? Explico: em dezembro de 2011 apresentei a monografia e, assim, concluí todos os créditos para colar grau. Eu teria me formado naquele ano não fosse por toda confusão que a primeira tentativa de intercâmbio no Canadá me causou. Na época, mesmo já tendo concluído o curso, tive que me matricular no semestre seguinte (e nos dois semestres depois desse) para continuar sendo aluna da instituição e, assim, não perder o direito de receber a bolsa. Foi nesse meio tempo que os dois intercâmbios aconteceram e o resto da história vocês já conhecem. Só em abril desse ano que eu finalmente colei grau e, por isso, sou considerada recém-formada ainda hoje.
Mas o caso é que, como formanda, eu me tornava elegível para me inscrever e participar de processos seletivos para Trainee e assim tenho feito desde 2011 até este ano. Ou seja, sou macaca velha no assunto e, quer saber? Enchi. Tô cansada de seleções que avaliam tudo, menos a capacidade real de uma pessoa de ser um bom profissional. Dinâmicas de grupo que teoricamente se propõem a avaliar capacidade de liderança e/ou relacionamento interpessoal, dentre outras competências, mas acabam dando preferência aos chamados marketeiros pessoais. Pessoas que sabem "se vender" bem, mas não necessariamente serão bons profissionais.
Com exceção do processo de seleção para Novos Talentos Shell, todas as seleções para cargos de trainee das quais participei até hoje se limitaram a isso. Elas buscam um determinado estereótipo de profissional no qual eu simplesmente não me encaixo, o que não significa dizer que eu não seja capaz, que não tenha o perfil que eles buscam. Apenas não sei demonstrar da forma que eles querem, atuando. E quando não é isso, me decepciono de outras formas.
Há uns meses, comentei aqui no blog que estava participando do processo para Nova Geração PwC. Fui até a fase final do programa, mas não passei. Fiquei com tanta raiva da empresa e da falta de respeito com que fui tratada que nem me dei o trabalho de contar o que aconteceu. Eis aqui um resumo: tenho toda certeza que, apesar de não ter sido contratada, fui aprovada na seleção. Tenho inúmeras razões para acreditar nisso porque eles me deram a entender de várias formas e por diversas vezes que, para as vagas de Salvador, eu fui uma das candidatas que mais me destaquei. Vi minha avaliação final da dinâmica de grupo e fiquei com 100% em todos os quesitos que eles estavam avaliando. Na entrevista final, o gestor me disse que havia recebido excelentes recomendações minhas do pessoal que fez o processo de seleção e ele mesmo, ao fim da entrevista, me fez várias perguntinhas e afirmações que embasam a minha tese de que passei na seleção. Por exemplo, ele me perguntou se eu tinha carteira de trabalho (oi?) e me disse que já havia feito pesquisa de hotéis acessíveis em São Paulo onde ocorreria o treinamento dos contratados. E por que afinal eu não fui contratada? Simples. O cargo requeria viagens constantes para São Paulo e Rio, dentre outras cidades do Brasil, e eles tiveram medo que minha deficiência fosse ser um empecilho. Em minha opinião, uma enorme hipocrisia sendo que na página do processo seletivo de 2013 constava que eles priorizariam as candidaturas de pessoas com deficiência. Enfim, para completar, não tiveram nem a decência de me telefonar para me dar um feedback sobre a seleção. Recebi um e-mail padrão dizendo que não passei e pronto.
É o tipo de coisa que me deprimi. De primeira eu não percebia essas "falhas" e começava a me questionar enquanto profissional. Mas depois aprendi que na verdade o problema não está comigo. Eu simplesmente não tenho como mudar meu jeito de ser para me adequar aos padrões que eles buscam. Marketing pessoal é algo importante sim, eu sei, mas há outros fatores na jogada que acabam sendo postos de lado. Por tudo isso é que desisti de focar em programas de trainee e passar a buscar empregos "normais" agora. Não era o que eu queria, mas aw well... Só sei que o que tiver que ser, será!
Paula, esse é o mundo em que vivemos. Um vai pisando no outro sem a menor cerimônia. Essas "campanhas" para trainee são "jogadas" empresariais que trazem benefícios para as empresas que oferecem isso. O resultado tem que dar IBOPE e por isso são aprovados os candidatos "marketeiros de causa própria". Claro que é importante saber vender suas idéias, mas só vender, a torcida que me perdoe, mas isso já é prostituição (rs...rs.).
ResponderExcluirBom mesmo é caminhar pelos tramites normais e não receber "esmolas" das instituições. Sua pessoa e sua capacidade são muito mais importantes para você mesmo e para nós que a amamos.
Um beijo com carinho,
Manoel
Haha adorei o comentário. E certíssimo o que vc disse. Tem certos programas de trainee que são quase mesmo uma prostituição. Exigem que vc abra mão da sua vida para seguir carreira na empresa. Acho que não dou pra isso não.
ExcluirJá te falei que vc é fofo? rs Adoro te ter por aqui.
Beijos e mais beijos
Oi Paula!
ResponderExcluirResolvi dar uma passadinha no teu blog e gostei do que vi. =)
Sobre seu post, eu tambem acho que nessa seleçao rola uma marmelada!
O importante é voce acreditar em voce e na deixar que isso acabe com a tua autoestima.
E o que é pra ser seu, ninguem tira!
Bjo e bom domingo!
=)
Oi Mel, obrigada pela visita. E sim, marmelada é a palavra certa, né? Mas como vc disse, o certo é acreditar em nós mesmos e não desistir. Uma hora o melhor acontece.
ExcluirBeijo
já passei por essa fase de seleçao pra trainees em tb. E, no meu caso, achava que era pq nao era de família rica, super fina e que tinha experiencias internacionais e bla bla bla. Sempre tem um motivo e sempre é aquele que a gente menos acredita que seja, ou gostaria de aceitar. :(
ResponderExcluirVai em frente, que uma hora vc consegue!
p.s. nao sei se tem essa info em algum lugar, mas vc se formou em que?
Eve, eu também acho que, para algumas empresas, por mais que eles neguem, experiência internacional é sim importante.
ExcluirEu sou formada em Administração e vc?
Beijo
Somos colegas de profissão! :)
ExcluirQue coisa chata essa história que a empresa fez com você, não? Eu fico muito "p" quando escuto ou leio histórias como essa. Infelizmente, muitas empresas (leia-se pessoas que estão ali) trabalham na base da politicagem. Já passei por tanta coisa que se eu te contar, você ficaria de cabelo em pé também. Vi muita gente ruim (no sentido profissional) e gente que enrolava o dia inteiro sendo promovida. Tudo isso porque o marketing pessoal era o mais importante e o que pesava no final das contas.
ResponderExcluirMas, olhe pelo seguinte lado. Se eles optaram por outra pessoa, com certeza aquele não era o lugar ideal para você e talvez você tenha se livrado de uma enorme bomba isso sim!
Torcendo para que seu caminho se ilumine e que aparece a vaga certa para ti.
Beijos.
Eu tenho nojo dessas coisas, Vânia. Vê que, infelizmente, nesse mundo em que vivemos a troca de interesses financeiros e políticos estão acima da ética e dos valores morais. Mas como vc disse e eu acredito muito nisso, aquele lugar não era para mim. Deus sabe o que faz.
ExcluirMas tenho fé de que em breve terei boas notícias para dar. =)
Beeeeijo
Oi Paula! olha... eu trabalhei em multinacional e conheci grandes babacas selecionados como trainee. Realmente esses processos seletivos deveriam se chamar "como recrutar os mais idiotas". Então, nem encana. Não desiste dos processos, mas também não se limite a eles. Vc tá certíssima! um beijo e boa sorte!
ResponderExcluirChris, te ouvir dizer isso só reafirma o que eu já imaginava. Fiquei curiosa para saber qual empresa vc trabalhava rs.
ExcluirMas estou fazendo como vc disse. Ainda estou em alguns (poucos) processos de trainee, mas já comecei a buscar outras vagas também.
Beijo e obrigada pela visita.
Nossa, Paula, um absurdo o que fizeram! Em vez de conversarem abertamente com você sobre o assunto, tiraram conclucões e te tiraram da reta sem nem tentarem antes!!! Fico com muita raiva dessa coisas, e pode ter certeza que o problema está com eles, não com você!
ResponderExcluirbeijocas
Marcela, eles me chamaram pra conversar. Foi quando ele me disse que tinha visto o hotel e tals. Mas no fim deu no mesmo. O que me chateia é não ter recebido feedback algum, ser descartada assim. Mas Deus sabe de todas as coisas, né? Vai ver foi melhor assim.
ExcluirBeijo =)
Eu fico triste pela sua experiencia alias eu fico e revoltada quando leio e vejo esse tipo de coisa acontecendo, porque nao tem nenhum sentido alem de ser anti-profissional. Eu concordo com voce, as empresas nao querem o melhor ou o mais eficiente, eles querem os marketeiros, eles querem a ilusao do bom profissional, acho que ruim pra eles que perdem boas pessoas como voce. Tem um ditado popular que diz que o que tiver que ser sera, vai ver nao era pra voce essa empresa. Nao desanima nao, daqui a pouco alguma coisa boa aparece pra voce.
ResponderExcluirBeijinhos
Pois é, essas coisas me colocam pra baixo, mas aí eu lembro que ainda há boas empresas por aí. Hoje mesmo fui numa dinâmica. Não sei do resultado ainda, mas gostei da forma como a atividade foi conduzida. Tô aqui torcendo para que dessa vez dê certo.
ExcluirBeijooo
Nossa, que ridículo mesmo. E acho tb que mesmo sendo uma empresa de renome, talvez não tivesse sido melhor pra vc mesmo, se eles já têm um preconceito assim antes de contratar, melhor que nem o faça.
ResponderExcluirNão desanime, há muitas oportunidades para quem tem inteligência e skills como vc.
Kisu!
Pois é, Bah, que também fiquei muito chocada com tudo pq realmente acreditava que era uma empresa de renome. Mas eu acredito nisso que vc falou, não era pra ser. Tem coisa melhor vindo, em nome de Jesus.
Excluirbeeijo