Já contei que eu adoro dias primeiros? Primeiro do ano, dia de recomeço, re-planos, re-sonhos. Primeiro de junho, meu aniversário, sempre foi o dia mais aguardado do ano para mim. Nem sei por que, mas adorava aquele feeling de "hoje é o meu dia". Hoje em dia nem é mais tão legal assim, afinal, ninguém está ficando mais novo aqui, né? Mas ainda assim é bom. E aí agora todo mês, no primeiro do mês, tem dia de salário. Que delícia! E é de primeiro em primeiro que o ano está voando e daqui a dois meses começa tudo de novo.
E por aqui a vida continua bem, graças a Deus. Sem muitas novidades, mas, como diz o S., no news is good news. Continuo vindo trabalhar de ônibus o que tem se tornado mais fácil e natural, apesar de quase sempre rolar um estresse básico, seja por um motorista que não parou quando viu que era "só" a cadeirante que deu a mão para o ônibus parar, ou por um dos vários elevadores quebrados e por aí vai... Ligo para a ouvidoria da prefeitura e reclamo, mas daí até resolverem os problemas são outros quinhentos.
Falando no assunto "vida de cadeirante", esses dias aconteceu algo quase insignificante, mas muito cheio de significado. Dessas coisas que ninguém nota, sabe? Mas que chega a doer. Aconteceu que, nessa de pegar ônibus, a gente acaba descobrindo quem vai pro mesmo ponto e no mesmo horário que a gente para fazer companhia um ao outro afinal, ficar andando sozinha pelas ruas de uma grande capital hoje em dia não é muito aconselhável, né? Apois. Acabei fazendo amizade com um dos seguranças de lá do trabalho que faz a minha escolta até o ponto todos os dias a noite. Daí que um dia de tarde ele resolveu passar na minha sala pra tomar um café comigo e meu estagiário anjo-bom* e, conversa vai, conversa vem, ele notou que eu estava usando um claddagh** no dedo anelar. Brincando, perguntou se era anel de compromisso ao que meu estagiário respondeu que sim. A reação dele ao ouvir a resposta? Rir. Rir muito. Como se aquilo fosse piada. Como se eu, cadeirante, ter namorado/noivo/marido/peguete/o-que-for fosse impossível. Impensável.
Você pode achar que estou exagerando, mas aquela risada, junto com tudo o que já conheço daquele cara, essa de deboche. Não me leve a mal. Ele não é uma pessoa ruim, muito pelo contrário. Também não acho que ele quis me ofender. Na verdade tenho certeza que nem ele nem o estagiário perceberam o que aconteceu ali. Mas eu sim. E doeu. Não por ofensa porque I know better than that. Mas porque esse é o pensamento comum e perpetuado da sociedade e é por causa dele que conheço alguns cadeirantes com sérios problemas de autoestima.
Fico me perguntando até quando...
* Ele me chama ironicamente carinhosamente de anjo bom da Bahia e a recíproca é verdadeira.
** Anel de compromisso irlandês que ganhei de presente do S. e que ainda uso quando estou a fim.
Realmente, tem muita gente que ainda pensa assim, e nem faz ideia que o mundo é muito maior que o preconceito tão fincado dentro deles. Como você disse, talvez ele nem tenha percebido mesmo o que aconteceu ali. É uma pena. Que bom que você sabe muito mais do que isso e não deixa sua auto estima se abalar, porque infelizmente essa é uma luta que está longe do fim. Beijos no cuore.
ResponderExcluirTambém acho que ainda há um longo caminho a percorrer, Gabi.
ExcluirXx
oi.
ResponderExcluirEu também amos primeiros dias, primeiro mês...acho que pela sensação maravilhosa de poder recomeçar e fazer melhor e esperar o melhor. Quanto à reação da pessoa, sobre a possibilidade de sim, voce, pode ter um compromisso, que pena! Achei horrivel, assim como é detestavel, ouvir que uma pessoa fora dos padrões de beleza, não pode ter um amor de verdade!
Mas tudo isso, só faz a gente perceber que o preconceito está nas pequenas coisas, imperceptiveis, velado, feio, ruim, dolorido.
Não permita que gente assim abale você!
Um beijo
Elaine
P.S. e quando acontecer o tal anel de compromisso, tira uma foto.
Elaine, obrigada pela visita e pelo comentário. E pode deixar que quando acontecer eu contarei aqui e tirarei foto, sim.
ExcluirUm beijo
Ola ola. Tbm adoro dias primeiro.... Aliás eu sou de 1 de fevereiro!!!! Hahaha...continuando. Eu te entendo muito bem. É chato isso, o problema é que a sociedade sempre costuma ver o lado de fora das pessoas e esquece que por dentro somos pessoas especiais. Todo mundo tem defeitos grandes ou pequenos, mas somos todos normais, simples assim. Bom domingo mocinha!!!
ResponderExcluirDeve ter algo a ver com nossa data de ani, né? Hehe
ExcluirObrigada, meu bem.
Xx
Oi Paulinha! Admiro muito a tua maturidade de lidar com a situação. De ter ficado sentida, mas ter reconhecido que ele talvez não tenha feito isso por mal. Que Deus te mantenha assim, menina sábia!
ResponderExcluirxxxx
Linda!! Obrigada, xará.
ExcluirBeijo
Paula eu tambem tenho um apego fora do normal com dias 1o.! Eu encaro como um mini Feliz Tudo Novo kkkkkkkk e isso do preconceito, se vc sentiu, e porque foi real. Agora e orar e pedir que Deus de luz a uma pessoa de mente pequena como ele. Beijo! Ps: muito obrigada pelo carinho la no blog!
ResponderExcluirObrigada, querida e visitarei seu cantinho mais vezes.
ExcluirUm beijo
Oi Paula
ResponderExcluirEm primeiro lugar gostaria de dizer que gostei do layout do blog :-)
Sinto muito em saber que você tem que passar por estes perrengues pra ir ao trabalho. Eu fico revoltada com o descaso que as pessoas tem com pessoas com deficiência, o preconceito mesmo que seja "velado". Sabe Paula, eu acredito que nem seja maldade da pessoa mas pura ignorância no sentido de não ter conhecimento, de não conhecer alguém. Talvez agora ele mude os conceitos dele em relação a cadeirantes com o relacioamento de amizade contigo. Muitas vezes só quebramos preconceitos (que até mesmo nem sabemos que temos) quando temos contato com pessoas, quando se torna pessoal. Aos poucos acredito que o o mundo vai mudar e as pessoas estarão mais cabeça aberta e saber que todos independente de nosso exterior somos seres humanos com sentimentos e merecemos todo amor e respeito.
Acredito que vc tenha razão. A convivência vai mudando essa noção que as pessoas fazem de nós, PCD.
ExcluirObrigada, querida e um beijo.
Pois ontem vi aqui na TV uma mulher que nao tem nenhuma das pernas, só tem mesmo do tronco pra cima, é linda e tem um noivo muito fofo. Sambando na cara da sociedade! rs
ResponderExcluirInfelizmente a maioria das pessoas ainda acha que rekacionamentos tem a ver só com aparência, nao é? Mas deixa pra lá porque é o mundo delas que está menor ;)
Hahaah adorei. Mas sim, se de uma coisa isso serve é pra escolher melhor quem eu quero ou não ao meu lado.
ExcluirXx
Que coisa mais chata que voce passou, tem gente que tem a mente tao pequena que nem se da conta do que faz, do mundo que vive, das pessoas em volta...uma pena.
ResponderExcluirO layout do seu blog ta muito bonito, sua cara.
Beijinhos
Merci =)
Excluirxx
Eu acho que as crianças deveriam ter aula de cidadania desde pequenas nas escolas....porque para um adulto ter uma atitude dessas é sinal de que nossa sociedade vem ensinando coisas muito erradas para as nossas crianças...
ResponderExcluirOutro dia eu estava no shopping esperando o elevador. Havia eu, um cadeirante e mais duas pessoas esperando. QUando a porta do elevador abriu a galera foi direto pra dentro, e eu perguntei pro moço cadeirante se ele ia subir. Ele disse que ia descer, mas me agradeceu. Ninguem quis saber se o moço ia entrar.Eu fiquei indignada com aquela gente, e imagino como essas pequenas coisas devem doer em vc, Paulinha. Eu tento fazer minha parte, mas fico triste por ver que a sociedade se faz de cega nessas horas.
Tá aí uma boa ideia, Ana. As pessoas normalmente não sabem como reagir e lidar com o diferente, isso eu entendo, mas daí para o preconceito não é um caminho longo.
ExcluirObrigada, querida.
Xx